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09 de outubro de 2018 - 14h33

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Produtividade da indústria brasileira cresce mais do que a média dos principais parceiros comerciais, diz CNI

Estudo também avalia o movimento trimestral da produtividade do trabalho no Brasil e mostra queda de 3,4% no segundo trimestre de 2018 em função da greve dos caminhoneiros


A produtividade do trabalho na indústria brasileira ficou 2,3% superior à média dos principais parceiros comerciais do país em 2017 em relação ao ano anterior. Entre estes países estão Estados Unidos, Argentina, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido. Os dados, que reforçam a tendência de recuperação da produtividade observada desde 2015, estão no estudo Produtividade na Indústria, divulgado nesta terça-feira, 9 de outubro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Entre 2016 e 2017, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu 4,3% e só não foi maior que a produtividade apresentada pela Coreia do Sul, que cresceu 5,8%. Os Países Baixos apresentaram desempenho semelhante ao brasileiro (aumento de 4,2% da produtividade), seguidos por Argentina (3,8%) e pelo Japão (3,3%). A produtividade do trabalho é medida como o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção.

Nos últimos cinco anos (2012-2017), a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira mostrou recuperação e acumulou aumento de 9,1%. O Brasil registrou os mesmos números que Coreia do Sul. Eles foram superados apenas por França, Alemanha e Países Baixos, cujo ganho de produtividade ficou em torno de 10%.  Com isso, a produtividade do trabalho efetiva, ou seja, na comparação com a média dos parceiros, acumulou aumento de 5,2%.

Mesmo com este crescimento na comparação com os países parceiros, a economista da CNI Samantha Cunha explica que é preciso que o Brasil avance mais. “Apesar do ganho que tivemos nos anos mais recentes, a competitividade continua sendo um importante desafio para a indústria brasileira, e depende da superação de dificuldades como aumentar a qualidade da educação no país e o investimento em ciência e tecnologia”. No acumulado da última década (2007-2017), a produtividade do Brasil comparada com a média dos países parceiros ainda mostra uma queda de 1,8%.

IMPACTO DA GREVE DOS CAMINHONEIROS - Além de medir a produtividade do trabalho efetiva, o estudo também avaliou o movimento trimestral da produtividade do trabalho do Brasil.  No segundo trimestre de 2018, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira caiu 3,4%, na comparação com o primeiro trimestre de 2018. O indicador interrompeu a tendência de alta observada desde o segundo trimestre de 2016. O resultado pode ser explicado em razão da paralisação no transporte de carga rodoviária ocorrida em maio de 2018.

“A tendência não é manter um crescimento forte, mas esse resultado é atípico, pois refletiu a greve dos caminhoneiros no mês de maio. O que observamos desde o segundo trimestre de 2016 é uma recuperação da produtividade do trabalho na indústria brasileira. Se a gente compara o primeiro trimestre de 2016 com o segundo de 2018, ainda vemos um aumento de 5,5% da produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira”, explica Samantha Cunha.

A previsão para os próximos trimestres é que o indicador de produtividade volte a refletir o aumento da eficiência observado desde o ano de 2016, como observa Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI: “Não podemos dizer que a tendência mudou, que a indústria deixou de ser eficiente. Estava havendo, de fato, um crescimento, influenciado pela crise econômica, que havia forçado as empresas a ficarem mais eficientes, a reduzir custos, e também forçou o trabalhador a ser mais eficiente para não perder o emprego”.

 

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