IMPRENSA
01 de September de 2026 - 14h01

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Encontro literário aproxima jovens da obra de Clarice Lispector

Estudantes do Ensino Médio do Serviço Social da Indústria (SESI) de Porto Velho transformaram a leitura da obra-prima de Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”, em um rico painel de debates sobre realidade social, solidão e desigualdade. Em uma roda de conversa promovida pelo Clube do Livro, a clássica história da personagem Macabéa funcionou como ponte para que os jovens desenvolvessem capacidade crítica, escuta empática e fundamentação de opiniões sobre o Brasil atual.

 

Idealizado pelas professoras Edileuza Vieira Botelho e Julia da Costa Reis, o projeto extrapolou a simples análise gramatical ou estrutural do texto literário. Ele também serve para incrementar o reportório literário dos alunos, contribuindo para uma preparação mais sólida e crítica para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

 

Durante a conversa, os participantes examinaram como temas complexos da narrativa (entre os quais a invisibilidade urbana, a pobreza extrema e a busca por pertencimento) encontram paralelo nas rotinas das grandes cidades contemporâneas. Essa conexão entre ficção e vida real estimula nos estudantes a elaboração de repertório próprio para redações, exames vestibulares e decisões da vida em sociedade.

 

“A conversa possibilitou relacionar a realidade vivida pela personagem com dilemas presentes na sociedade contemporânea, ampliando o olhar dos jovens sobre a obra e estimulando a leitura analítica, a argumentação e o respeito às diferentes perspectivas. Foi um convite à reflexão sobre o ser humano, suas experiências e seu lugar no mundo, mostrando a literatura como espaço de diálogo, conhecimento e formação inteira", avaliou Edileuza.

 

A dinâmica contou ainda com o suporte técnico e pedagógico da equipe da biblioteca escolar, que acompanhou de perto a evolução das abordagens trazidas pelos adolescentes. O contato com clássicos em ambientes descontraídos reduz o distanciamento da juventude em relação aos livros densos, transformando a leitura compulsória em uma experiência viva de troca cultural. “Acompanhar o envolvimento dos participantes durante o encontro é uma grande satisfação. A curiosidade, as diferentes interpretações e a disposição para dialogar sobre uma obra tão profunda como A Hora da Estrela demonstram como os livros despertam sensibilidade, estimulam o pensamento autônomo e aproximam os estudantes de questões centrais da vida”, disse a bibliotecária Daiane Oliveira Costa.

 

O aprendizado gerado no encontro repercutiu na percepção da diretoria da unidade do SESI. A gerente Juliane Loubach disse que os encontros literários superam os limites da sala de aula tradicional, transformando o conteúdo escrito em posicionamentos éticos e reflexivos. Complementando essa visão, a coordenadora de Educação Ana Paula de Almeida ressaltou que a interpretação de obras desse porte consolida a maturidade dos jovens, habilitando-os a expressar opiniões bem fundamentadas com urbanidade e respeito à diversidade de opiniões.


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