Metodologia STEAM já é realidade nas ações pedagógicas do SESI
Encontro literário aproxima jovens da obra de Clarice Lispector
Estudantes
do Ensino Médio do Serviço Social da Indústria (SESI) de Porto Velho
transformaram a leitura da obra-prima de Clarice Lispector, “A Hora da
Estrela”, em um rico painel de debates sobre realidade social, solidão e
desigualdade. Em uma roda de conversa promovida pelo Clube do Livro, a clássica
história da personagem Macabéa funcionou como ponte para que os jovens
desenvolvessem capacidade crítica, escuta empática e fundamentação de opiniões
sobre o Brasil atual.
Idealizado
pelas professoras Edileuza Vieira Botelho e Julia da Costa Reis, o projeto
extrapolou a simples análise gramatical ou estrutural do texto literário. Ele
também serve para incrementar o reportório literário dos alunos, contribuindo
para uma preparação mais sólida e crítica para o Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM).
Durante a
conversa, os participantes examinaram como temas complexos da narrativa (entre
os quais a invisibilidade urbana, a pobreza extrema e a busca por
pertencimento) encontram paralelo nas rotinas das grandes cidades
contemporâneas. Essa conexão entre ficção e vida real estimula nos estudantes a
elaboração de repertório próprio para redações, exames vestibulares e decisões
da vida em sociedade.
“A conversa
possibilitou relacionar a realidade vivida pela personagem com dilemas
presentes na sociedade contemporânea, ampliando o olhar dos jovens sobre a obra
e estimulando a leitura analítica, a argumentação e o respeito às diferentes
perspectivas. Foi um convite à reflexão sobre o ser humano, suas experiências e
seu lugar no mundo, mostrando a literatura como espaço de diálogo, conhecimento
e formação inteira", avaliou Edileuza.
A dinâmica
contou ainda com o suporte técnico e pedagógico da equipe da biblioteca
escolar, que acompanhou de perto a evolução das abordagens trazidas pelos
adolescentes. O contato com clássicos em ambientes descontraídos reduz o
distanciamento da juventude em relação aos livros densos, transformando a
leitura compulsória em uma experiência viva de troca cultural. “Acompanhar o
envolvimento dos participantes durante o encontro é uma grande satisfação. A
curiosidade, as diferentes interpretações e a disposição para dialogar sobre
uma obra tão profunda como A Hora da Estrela demonstram como os livros
despertam sensibilidade, estimulam o pensamento autônomo e aproximam os
estudantes de questões centrais da vida”, disse a bibliotecária Daiane Oliveira
Costa.
O
aprendizado gerado no encontro repercutiu na percepção da diretoria da unidade
do SESI. A gerente Juliane Loubach disse que os encontros literários superam os
limites da sala de aula tradicional, transformando o conteúdo escrito em
posicionamentos éticos e reflexivos. Complementando essa visão, a coordenadora
de Educação Ana Paula de Almeida ressaltou que a interpretação de obras desse
porte consolida a maturidade dos jovens, habilitando-os a expressar opiniões
bem fundamentadas com urbanidade e respeito à diversidade de opiniões.
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