IMPRENSA
11 de November de 2022 - 10h13

A- A A+

25 por cento das indústrias do Norte e Nordeste consideram infraestrutura boa ou ótima; no Sudeste, 64 por cento

Pesquisa da CNI ouviu 2.500 empresários de todo o país. Dados mostram enorme disparidade na distância média para escoamento de produtos entre as regiões. No Norte, mais de 1,6 mil km; no Sudeste, 660 km

 

As regiões brasileiras têm uma enorme disparidade em relação às condições de infraestrutura e logística. Essa realidade é evidenciada por pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (11), que ouviu 2.500 empresários de indústrias de médio e grande portes de todo o país. De acordo com os dados, somente 25% dos entrevistados do Norte e do Nordeste consideram boas ou ótimas as condições de infraestrutura da região.

 

De outro lado, 64% dos empresários do Sudeste apontam as condições de infraestrutura regional como boas ou ótimas. Em seguida, os empresários da região Sul também mostram satisfação alta, de 57%, seguidos pela região Centro-Oeste, com 46%. A média nacional da pesquisa ficou em 56%.

 

O principal gargalo de infraestrutura apontado em todas as regiões é o transporte, com média nacional de 73%. No Norte, o índice é ainda maior – de 82%. Na sequência, aparecem o Sul (81% apontam o transporte como maior gargalo), Nordeste (76%), Centro-Oeste (73%) e Sudeste (68%).

 

“Quando avaliamos a situação das rodovias, ferrovias e portos das regiões Norte e Nordeste fica muito evidente a disparidade na qualidade desses ativos em relação ao Sul e ao Sudeste. Isso evidencia a necessidade de mais investimentos para reduzirmos o déficit de infraestrutura e o desbalanceamento entre as regiões”, afirma o gerente de Transporte e Mobilidade Urbana da CNI, Matheus de Castro.

 

Gargalos para a indústria

 

A infraestrutura das rodovias foi a maior queixa dos empresários, apontada por 88% dos respondentes do Norte e por 62% do Sudeste. Em seguida, foi mencionada a infraestrutura das ferrovias como sendo um dos maiores gargalos para o transporte de carga no país – a maior parte, 40% entre os empresários do Sudeste, e a menor, 18% do Norte.

 

Os dados mostram ainda que os serviços de transporte por rodovias são avaliados como bons ou ótimos por 46% dos empresários. Entre as regiões, destaca-se o Sudeste, onde 59% consideram os serviços de transporte rodoviário bons ou ótimos. Em contraste aparece o Norte, com índice de somente 9% bom ou ótimo.

 

>> Acesse aqui o infográfico com dados da pesquisa.

 

Quando questionados sobre as principais obras, os industriais mencionaram a melhora a infraestrutura das estradas – resposta de 49% dos entrevistados no Norte e de 31%, do Centro-Oeste; e ampliação/duplicação de rodovias – opção de 45% dos respondentes do Sul e de 23%, do Sudeste.

 

Ferrovias

 

Os dados nacionais mostram que 38% das indústrias mudariam operação de rodovia para outro modal, sendo que 28,5% optariam por transferir a operação para as ferrovias caso houvesse condições de infraestrutura adequadas para o escoamento dos produtos. A substituição dos caminhões por trens é uma preferência mais intensa entre os empresários do Centro-Oeste, seguidos das regiões Sudeste e Sul. Segundo os empresários, a grande vantagem das ferrovias é a redução de custos e a agilidade. Segundo a pesquisa, 32% dos empresários industriais consideram novas autorizações ferroviárias como prioridade para o setor industrial.

 

A expansão da malha ferroviária foi a escolhida entre os empresários do Nordeste (34%), do Sul (34%) e do Sudeste (31%). Para os respondentes do Centro-Oeste (42%) e do Norte (28%), a conclusão das obras da Ferrovia Norte-Sul é a mais importante medida para o escoamento da produção das indústrias de suas regiões.

 

Frete

 

A avaliação sobre as ferrovias nacionais é positiva para apenas 16% dos entrevistados. No Centro-Oeste está concentrado o maior nível de satisfação, com 22% de bom ou ótimo. Em contrapartida, no Nordeste o índice de bom ou ótimo é de apenas 6% - por lá 45% dos empresários consideram as ferrovias ruins ou péssimas.

 

O custo do frete, por sua vez, representa, em média, 15% do preço final dos produtos. Os empresários do Norte e do Nordeste são aqueles que mais sofrem com este custo: 19% e 18%, respectivamente. Para 66% das indústrias, o preço do frete é elevado. A região Centro-Oeste registra o maior índice, com 78% as empresas classificando como alto ou muito alto. Na sequência aparecem Nordeste (72%), Sul (68%), Sudeste (64%) e Norte (60%).

 

Portos

 

Já os serviços portuários são classificados como bons ou ótimos por 39% dos industriais. No Sul, esse índice é de 48%, enquanto no Nordeste, de 34%. A infraestrutura portuária do país é considerada o principal gargalo logístico para as empresas escoarem suas produções destinadas à exportação.

 

Distâncias que tornam o transporte rodoviário inadequado

 

O modal rodoviário é indicado apenas para pequenas e médias distâncias, mas segundo a pesquisa somente 48% dos industriais escoam a produção em trajetos com média inferior a 500 quilômetros. As distâncias percorridas, conforme a pesquisa, são de 885 km em média no país. No Norte, há uma enorme distorção, o que reflete a baixa eficiência do transporte na região. Por lá, 34% das empresas dizem que suas mercadorias percorrem distâncias de mais de 2 mil km, enquanto no Sudeste só 4%.

 

Metodologia

 

A pesquisa encomendada pela CNI foi realizada pelo Instituto FSB Pesquisa, que entrevistou 2.500 executivos de grandes e médias empresas industriais, nas 27 unidades da Federação, sendo 500 em cada região. O campo foi feito entre os dias 23 de junho e 9 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

 

>> PRINCIPAIS DADOS DA PESQUISA

 

Duas principais obras para melhorar a indústria

Norte – Melhorar infraestrutura das estradas (49%) e ampliação/duplicação de rodovias (32%)

Nordeste – Melhorar infraestrutura das estradas (42%) e ampliação/duplicação de rodovias (26%)

Centro-Oeste – Ampliação/duplicação de rodovias (34%) e melhorar infraestrutura das estradas (31%)

Sudeste – Melhorar infraestrutura das estradas (34%) e ampliação/duplicação de rodovias (23%)

Sul – Ampliação/duplicação de rodovias (45%) e melhorar infraestrutura das estradas (36%)

 

Duas principais obras para melhorar o escoamento da produção das indústrias

Norte – Conclusão de obras da Ferrovia Norte-Sul no trecho de Tocantins a São Paulo (28%) e novas autorizações ferroviárias (27%)

Nordeste – Novas autorizações ferroviárias (34%) e conclusão das obras da Fiol no trecho da Bahia a Tocantins (33%)

Centro-Oeste – Conclusão de obras da Ferrovia Norte-Sul no trecho de Tocantins a São Paulo (42%) e novas autorizações ferroviárias (39%)

Sudeste – Novas autorizações ferroviárias (31%) e desestatização do Porto de Santos (30%)

Sul – Novas autorizações ferroviárias (34%) e Concessão das Rodovias Integras, no Paraná (26%)

 

Distância média percorrida para o transporte de produtos

Brasil – 885 km

Norte – 1.658 km

Nordeste – 1.134 km

Sul – 1.069 km

Centro-Oeste – 997 km

Sudeste – 660 km

 

Condições da infraestrutura para a indústria

Brasil - boa (47%) ou ótima (9%)

Sudeste - boa (55%) e ótima (9%)

Sul - 57% - boa (48%) e ótima (9%)

Centro-Oeste - 46% - boa (34%) e ótima (12%)

Nordeste - 25% - boa (22%) e ótima (3%)

Norte - 25% - boa (23%) e ótima (2%)

 

Avaliação dos serviços de infraestrutura por região:

 

Transportes por rodovias

Brasil – Boa (37%) e ótima (9%)

Sudeste – Boa (47%) e ótima (12%);

Centro-Oeste – Boa (33%) e ótima (7%)

Sul – Boa (30%) e ótima (6%)

Nordeste – Boa (19%) e ótima (2%)

Norte – Boa (8%) e ótima (1%)

 

Ferrovias

Brasil – Boa (13%) e ótima (3%); Ruim (13%) e péssima (18%)

Centro-Oeste – Boa (16%) e ótima (6%); Ruim (4%) e péssima (21%)

Sudeste – Boa (16%) e ótima (3%); Ruim (13%) e péssima (16%)

Sul – Boa (12%) e ótima (2%); Ruim (13%) e péssima (18%)

Norte – Boa (5%) e ótima (2%); Ruim (10%) e péssima (19%)

Nordeste – Boa (5%) e ótima (1%); Ruim (15%) e péssima (30%)

 

Serviços de transporte aéreo

Brasil – Boa (46%) e ótima (10%); Ruim (5%) e péssimo (3%)

Sudeste – Boa (50%) e ótima (11%); Ruim (4%) e péssimo (2%)

Sul – Boa (44%) e ótima (10%); Ruim (5%) e péssimo (3%)

Centro-Oeste – Boa (10%) e ótima (41%); Ruim (6%) e péssimo (6%)

Norte – Boa (40%) e ótima (9%); Ruim (5%) e péssimo (9%)

Nordeste – Boa (38%) e ótima (7%); Ruim (6%) e péssimo (5%)

 

Serviços de transporte por hidrovias

Brasil – Boa (14%) e ótima (2%); Ruim (10%) e péssimo (11%)

Norte – Boa (33%) e ótima (7%); Ruim (6%) e péssimo (5%)

Sul – Boa (15%) e ótima (2%); Ruim (8%) e péssimo (12%)

Sudeste – Boa (14%) e ótima (2%); Ruim (10%) e péssimo (10%)

Centro-Oeste – Boa (10%) e ótima (1%); Ruim (8%) e péssimo (14%)

Nordeste – Boa (9%) e ótima (2%); Ruim (13%) e péssimo (16%)

 

Portos

Brasil – Boa (33%) e ótima (6%); Ruim (6%) e péssimo (5%)

Sul – Boa (39%) e ótima (9%); Ruim (4%) e péssimo (3%)

Sudeste – Boa (32%) e ótima (4%); Ruim (7%) e péssimo (5%)

Norte – Boa (32%) e ótima (4%); Ruim (6%) e péssimo (9%)

Nordeste – Boa (27%) e ótima (7%); Ruim (6%) e péssimo (6%)

Centro-Oeste – Boa (13%) e ótima (4%); Ruim (7%) e péssimo (8%)


Mais notícias

FIERO recebe visita institucional do candidato ao governo de Rondônia, Pedro Abib

FIERO recebe visita institucional do candidato ao governo de Rondônia, Hildon Chaves

Óleo de avestruz industrializado em Rondônia mira mercado internacional com suporte da FIERO

FIERO recebe visita institucional do pré-candidato a deputado federal, pastor Valadares