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Entre o Fomento e a Ilegalidade: Desenvolvimento Sustentável na Amazônia
Em uma
iniciativa inédita entre o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO) e a
Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) foi realizado, nesta
quinta-feira, 10, o encontro “Entre o Fomento e a Ilegalidade: Desenvolvimento
Sustentável na Amazônia”. O evento teve o apoio científico do Instituto
Amazônia+21, da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São
Paulo (USP) e da Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron).
Os debates
reuniram magistrados, representantes do setor produtivo, da segurança pública,
instituições financeiras, advogados e demais convidados para identificar
alternativas de combate ao crime organizado e de incentivo aos negócios
industriais e econômicos. Ao final dos painéis, o grupo de trabalho elaborou um
conjunto de recomendações para o aperfeiçoamento de políticas públicas e normas
regulatórias. O documento estabeleceu como prioridades a simplificação dos
processos de regularização ambiental para a agricultura familiar, a criação de
linhas de transição de crédito e o fortalecimento do diálogo entre os tribunais
e os órgãos de fiscalização fundiária.
Segue
abaixo a íntegra do documento.
CARTA DE
PORTO VELHO
Encontro
"Entre o Fomento e a Ilegalidade: Desenvolvimento Sustentável na
Amazônia"
Os
participantes do Encontro "Entre o Fomento e a Ilegalidade:
Desenvolvimento Sustentável na Amazônia", reunidos na sede do Tribunal de
Justiça do Estado de Rondônia, em Porto Velho, no dia 10 de setembro de 2026,
tornam pública a presente carta de encerramento. O evento foi promovido pelo
Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO) e pela Federação das
Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), com o respaldo científico do
Instituto Amazônia+21, da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade
de São Paulo (USP) e da Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (EMERON),
reunindo magistrados, pesquisadores, forças de segurança pública, instituições
financeiras, órgãos ambientais e fundiários, lideranças do setor produtivo e
representantes de comunidades vulneráveis, em torno de uma agenda
multissetorial de desenvolvimento sustentável para a Amazônia.
Diagnóstico:
o ecossistema de vulnerabilidades
O encontro
partiu de uma hipótese central, confirmada pelos dados apresentados no Painel
1: a exclusão creditícia dos pequenos produtores rurais, decorrente da
impossibilidade de regularização do passivo ambiental, cria um vácuo estrutural
que vem sendo ocupado pelo crime organizado. Esse vácuo se manifesta na
transferência silenciosa de propriedades e territórios rurais para redes
criminosas e no bloqueio de mercados emergentes, como o mercado de carbono, o
agronegócio sustentável e o manejo florestal, que poderiam funcionar como
alternativas legítimas de renda para o pequeno produtor.
Resposta
jurídica e criminal
No Painel
2, discutiu-se o novo tratamento penal conferido às facções criminosas pela Lei
nº 15.358/2026 e seus impactos sobre a atuação dos tribunais estaduais na
Amazônia. Foram debatidos os instrumentos processuais de repressão ao crime
organizado fundiário e o papel do Poder Judiciário na cadeia de combate a essa
criminalidade, reconhecendo-se a necessidade de qualificação técnica permanente
dos magistrados para o enfrentamento de estruturas criminosas que atuam sobre a
posse e a titulação da terra.
Segurança
pública e inteligência estatal
O Painel 3
tratou da articulação entre os agentes do Estado na transição da repressão para
a prevenção, com a atuação da Polícia Federal no combate ao garimpo, ao
narcotráfico e à grilagem, os desafios operacionais das polícias estaduais de
Rondônia no campo, os limites constitucionais de atuação das Forças Armadas na
região e o papel do IBAMA e do INCRA na regularização ambiental e fundiária
como instrumento de segurança pública. Destacou-se que a integração de dados
entre esses órgãos é condição para qualquer estratégia eficaz de prevenção.
Agenda
positiva: formalização econômica como resposta
O Painel 4
apresentou uma agenda positiva centrada na formalização econômica como barreira
ao crime organizado, sob a premissa de que mais CNPJ regular significa menos
espaço para a economia criminosa. Foram discutidas as linhas de crédito e os
condicionantes ambientais do Banco da Amazônia e do BNDES, o papel do
cooperativismo rural, a exemplo do Sicredi, como alternativa ao endividamento
por vias criminosas, as pré-condições de acesso ao mercado de carbono para
pequenos proprietários e o papel das associações de produtores rurais e
assentados na formalização produtiva.
Encaminhamentos
Diante do
diagnóstico e dos debates realizados, os participantes reconhecem a necessidade
de: (i) articular políticas de regularização ambiental e fundiária com
políticas de crédito rural, de modo a romper o ciclo de exclusão creditícia que
alimenta a atuação do crime organizado; (ii) fortalecer a integração
operacional e de inteligência entre Polícia Federal, polícias estaduais, Forças
Armadas, IBAMA e INCRA; (iii) capacitar continuamente magistrados e operadores
do direito para a aplicação da nova legislação sobre organizações criminosas; e
(iv) ampliar o acesso de pequenos produtores a mercados emergentes, como o de
carbono, e a linhas de crédito com condicionantes ambientais viáveis, por meio
do cooperativismo e das associações produtivas.
Os
signatários comprometem-se a dar continuidade a esta agenda multissetorial,
mantendo o diálogo institucional iniciado neste encontro como base para a
formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da
Amazônia.
Porto
Velho, 10 de setembro de 2026.
Organização
Realização
Tribunal de
Justiça do Estado de Rondônia (TJRO), representado pelo Presidente, Desembargador
Alexandre Miguel; e Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO),
representada pelo Presidente, Marcelo Thomé da Silva de Almeida.
Parceiros
acadêmicos
Instituto
Amazônia+21; Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo
(USP), representada pelo Professor Leandro Piquet Carneiro; e Escola da
Magistratura do Estado de Rondônia (EMERON), representada pelo Diretor,
Desembargador Gilberto Barbosa.
Assinaturas
Desembargador
Alexandre Miguel
Presidente
do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO)
Marcelo
Thomé da Silva de Almeida
Presidente
da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO)
Professor
Leandro Piquet Carneiro
Escola de
Segurança Multidimensional — Universidade de São Paulo (USP)
Desembargador
Gilberto Barbosa
Diretor da
Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (EMERON)
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