IMPRENSA
30 de July de 2025 - 18h27

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Menos juros, mais crescimento, defende CNI

IOF e manutenção de Selic em 15% pressionam indústria, que pede redução da taxa Selic o quanto antes

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera insuficiente e equivocada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. A política monetária contracionista impõe custos desnecessários à atividade econômica e a um cenário cada vez mais adverso para a indústria, motivos que deveriam levar o Copom a ter iniciado o processo de redução da Selic na reunião desta quarta-feira, 30.


"Já tivemos o aumento do IOF sobre as operações de crédito e câmbio e a elevação das tarifas dos EUA sobre as nossas exportações. A alta do IOF sobre o crédito vai aumentar em R$ 4,9 bilhões o custo para as indústrias, enquanto as tarifas dos EUA podem causar queda na produção industrial e a perda de milhares de empregos no país. O momento pede uma política monetária mais favorável. Precisamos de menos juros e mais crescimento”, aponta o presidente da CNI, Ricardo Alban.


Segundo Alban, a perspectiva demanda mudança de postura do Copom, para que, a partir da próxima reunião, inicie o necessário ciclo de cortes nos juros. “Se isso não acontecer, o quadro econômico tende a piorar, podendo consolidar uma desaceleração ainda mais intensa do que temos observado”, completa o presidente da CNI.


Política monetária é cada vez mais contracionista


A taxa de juros real encerrou 2024 em 7% a.a., mas já se encontra em 10,1% a.a., 5,1 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra, que não estimula nem desestimula a atividade econômica, de acordo com o Banco Central. O patamar atual dos juros reflete uma política monetária fortemente contracionista e mantém o Brasil na segunda posição das maiores taxas de juros real do mundo, atrás apenas de Turquia.


Considerando a Regra de Taylor, a taxa básica de juros de equilíbrio deveria estar em 10,59% a.a., considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Ou seja, a Selic atual está 4,41 p.p. acima do nível necessário para conter a inflação e evitar prejuízo ao crescimento econômico.


Crédito caro leva a menos investimento e consumo


Por causa dos juros elevados, o crédito está cada vez mais caro. Segundo o Banco Central, a taxa de juros média cobrada das empresas nas concessões de crédito, considerando as linhas com recursos livres, subiu de 20,6% a.a. em setembro de 2024 para 24,3% a.a. em junho de 2025. No mesmo período, a taxa média cobrada dos consumidores passou de 52,3% a.a. para 58,3% a.a.


Os juros mais altos inviabilizam diversos projetos de investimento das empresas, que são essenciais para ampliar e modernizar a estrutura produtiva do país. Também tornam cada vez mais difícil o atendimento das necessidades financeiras diárias, que demandam capital de giro. Para os consumidores, os juros elevados dificultam a compra de diversos produtos, sobretudo os de maior valor, mais dependentes de financiamento.

 

Desaceleração da atividade econômica ajuda no controle da inflação


Com o crédito cada vez mais caro e menos acessível, a atividade econômica dá sinais de desaceleração. Os números parciais dos setores no segundo trimestre não são animadores. Em abril e maio, a produção industrial acumulou queda de 1,2% frente ao fim do primeiro trimestre, de acordo com o IBGE. As vendas do varejo foram ainda piores. O setor acumulou retração de 1,6% na mesma comparação. Além disso, o IBC-Br, indicador que serve como prévia do PIB, caiu 0,74% em maio ante abril, refletindo a desaceleração da economia.

 

É preciso reconhecer os sinais positivos da inflação


Em meio à Selic elevada e perda de ritmo da economia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, têm desacelerado a cada mês: 1,31% em fevereiro, 0,56% em março, 0,43% em abril, 0,26% em maio e 0,24% em junho.


Os preços dos alimentos subiram apenas 0,02% em maio e caíram 0,43% em junho. O grupo passou de alta de 7,87%, no acumulado em 12 meses até abril, para alta de 6,23%, no acumulado até junho. Além disso, as perspectivas seguem favoráveis, uma vez que a previsão de safra em 2025, que já era muito positiva, melhorou.


Outro grupo que tem ajudado a melhorar o quadro inflacionário é o de preços de bens industriais, que apresentou alta de apenas 0,05% em maio e junho. Com isso, passou de crescimento de 4,09%, no acumulado em 12 meses até abril, para crescimento de 3,72%, no acumulado até maio. Essa desaceleração se deve, em grande medida, à apreciação do real, que se valorizou 11,9% frente ao dólar, no primeiro semestre de 2025.


Vale destacar que as expectativas para a inflação no final de 2025 têm sido revistas para baixo há 9 semanas consecutivas, caindo para 5,1%, de acordo com o mais recente Relatório Focus, do Banco Central. 


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