IMPRENSA
29 de April de 2026 - 11h06

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Ferrovia Bioceânica pode colocar Rondônia no centro da nova logística entre América do Sul e Ásia

Um novo capítulo da infraestrutura sul-americana começou a ser escrito em julho de 2025, quando Brasil e China assinaram um memorando de entendimentos para a produção de estudos do Corredor Ferroviário Bioceânico Brasil–Peru. O projeto prevê a ligação do Oceano Atlântico ao Pacífico, conectando o território brasileiro ao Porto de Chancay, no Peru, um dos maiores e mais modernos portos da América Latina, construído com investimento chinês.

 

Apesar de sua dimensão continental, o Brasil ainda apresenta uma das menores densidades ferroviárias entre as grandes nações do mundo. Essa lacuna afeta diretamente a logística, encarece o transporte de mercadorias e limita a competitividade da indústria, especialmente em estados da região Norte. Rondônia é um exemplo claro desse desafio.

 

Infraestrutura e logística sempre estiveram no centro das pautas defendidas pela Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO). Atenta a esse cenário estratégico, a entidade, por meio do Observatório da Indústria da FIERO, desenvolveu em parceria com o Observatório da Indústria do Ceará um estudo inédito que analisa o impacto da Ferrovia Bioceânica para o estado.

 

O levantamento evidencia o chamado Quadrante Rondon, principal rota no contexto rondoniense, que integra Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, conectando o Brasil à Bolívia, Peru e Chile. Essa rota tem potencial para transformar a logística regional, promovendo maior eficiência no escoamento de mercadorias rumo aos mercados asiáticos. A pesquisa avalia os impactos sociais, econômicos e ambientais da ferrovia a partir de áreas de influência. Foram definidos raios de 50 km (alta influência) e 100 km (média influência), metodologia que permite analisar de forma mais precisa os efeitos sobre centros urbanos e comunidades locais.

 

Entre os indicadores analisados estão produção, exportações, mercado de trabalho, população, escolaridade e cobertura digital. O objetivo é identificar tanto as potencialidades quanto os pontos de atenção para o desenvolvimento econômico sustentável do estado.

 

O estudo compara, por exemplo, o tempo de translado de cargas com destino ao Porto de Shanghai a partir de duas rotas distintas: a primeira saindo do Porto de Chancay, pelo Oceano Pacífico; a segunda partindo do Porto de Santos, via Canal do Panamá. Os resultados mostram ganhos logísticos significativos com a Ferrovia Bioceânica, especialmente diante da predominância dos modais marítimo e rodoviário em Rondônia. Um dos principais benefícios é a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), já que o transporte ferroviário é mais eficiente ambientalmente que o rodoviário, estima-se que o modal ferroviário possa reduzir em cerca de 70% as emissões de CO em comparação ao transporte rodoviário.

 

Os dados indicam que os municípios impactados concentrem 92,7% do PIB de Rondônia, com cerca de 80% desse valor localizado na área de maior influência da ferrovia. Esse cenário mostra o papel estratégico da ferrovia para impulsionar o crescimento econômico,

 

fortalecer a indústria local e ampliar a competitividade de setores como comércio, agropecuária e serviços.

 

A Ferrovia Bioceânica representa uma oportunidade de inserção mais efetiva de Rondônia nas cadeias globais de valor, abrindo novas rotas de desenvolvimento e posicionando o estado como protagonista na integração sul-americana com a Ásia.

 

O estudo completo, mapas e análises detalhadas estão disponíveis no storymaps da Ferrovia Bioceânica desenvolvido pelos Observatórios. Acesse e entenda por que essa ferrovia pode mudar o futuro de estado.

 


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