FIERO avalia como acertada revogação de liminar que barrava recuperação da BR-319
Ferrovia Bioceânica pode colocar Rondônia no centro da nova logística entre América do Sul e Ásia
Um novo
capítulo da infraestrutura sul-americana começou a ser escrito em julho de
2025, quando Brasil e China assinaram um memorando de entendimentos para a
produção de estudos do Corredor Ferroviário Bioceânico Brasil–Peru. O projeto
prevê a ligação do Oceano Atlântico ao Pacífico, conectando o território
brasileiro ao Porto de Chancay, no Peru, um dos maiores e mais modernos portos
da América Latina, construído com investimento chinês.
Apesar de
sua dimensão continental, o Brasil ainda apresenta uma das menores densidades
ferroviárias entre as grandes nações do mundo. Essa lacuna afeta diretamente a
logística, encarece o transporte de mercadorias e limita a competitividade da
indústria, especialmente em estados da região Norte. Rondônia é um exemplo
claro desse desafio.
Infraestrutura
e logística sempre estiveram no centro das pautas defendidas pela Federação das
Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO). Atenta a esse cenário estratégico, a
entidade, por meio do Observatório da Indústria da FIERO, desenvolveu em
parceria com o Observatório da Indústria do Ceará um estudo inédito que analisa
o impacto da Ferrovia Bioceânica para o estado.
O
levantamento evidencia o chamado Quadrante Rondon, principal rota no contexto
rondoniense, que integra Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, conectando o
Brasil à Bolívia, Peru e Chile. Essa rota tem potencial para transformar a
logística regional, promovendo maior eficiência no escoamento de mercadorias
rumo aos mercados asiáticos. A pesquisa avalia os impactos sociais, econômicos
e ambientais da ferrovia a partir de áreas de influência. Foram definidos raios
de 50 km (alta influência) e 100 km (média influência), metodologia que permite
analisar de forma mais precisa os efeitos sobre centros urbanos e comunidades
locais.
Entre os
indicadores analisados estão produção, exportações, mercado de trabalho,
população, escolaridade e cobertura digital. O objetivo é identificar tanto as
potencialidades quanto os pontos de atenção para o desenvolvimento econômico
sustentável do estado.
O estudo
compara, por exemplo, o tempo de translado de cargas com destino ao Porto de
Shanghai a partir de duas rotas distintas: a primeira saindo do Porto de
Chancay, pelo Oceano Pacífico; a segunda partindo do Porto de Santos, via Canal
do Panamá. Os resultados mostram ganhos logísticos significativos com a
Ferrovia Bioceânica, especialmente diante da predominância dos modais marítimo
e rodoviário em Rondônia. Um dos principais benefícios é a redução das emissões
de gases de efeito estufa (GEE), já que o transporte ferroviário é mais
eficiente ambientalmente que o rodoviário, estima-se que o modal ferroviário
possa reduzir em cerca de 70% as emissões de CO₂ em comparação ao transporte rodoviário.
Os dados
indicam que os municípios impactados concentrem 92,7% do PIB de Rondônia, com
cerca de 80% desse valor localizado na área de maior influência da ferrovia.
Esse cenário mostra o papel estratégico da ferrovia para impulsionar o
crescimento econômico,
fortalecer
a indústria local e ampliar a competitividade de setores como comércio,
agropecuária e serviços.
A Ferrovia
Bioceânica representa uma oportunidade de inserção mais efetiva de Rondônia nas
cadeias globais de valor, abrindo novas rotas de desenvolvimento e posicionando
o estado como protagonista na integração sul-americana com a Ásia.
O estudo
completo, mapas e análises detalhadas estão disponíveis no storymaps
da Ferrovia Bioceânica desenvolvido pelos Observatórios. Acesse e entenda
por que essa ferrovia pode mudar o futuro de estado.
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