IMPRENSA
19 de March de 2025 - 17h48

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Juros altos só prejudicam a economia, afirma CNI

Para a Confederação Nacional da Indústria, Banco Central erra ao não considerar queda do dólar e do preço do petróleo em sua decisão

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que a elevação de um ponto percentual (p.p.) da taxa básica de juros, a Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta quarta-feira (19), não é necessária para controlar a inflação e prejudicará o ritmo de crescimento da economia. A Selic passou de 13,25% para 14,25% – maior patamar desde 2016.

“O nível atual da Selic, que implica taxa de juros real de 8,5% a.a. (3,5 p.p. acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central), já tem impactado fortemente a economia, que apresenta desaceleração mais aguda do que a prevista, tanto pela CNI, como por diversos analistas econômicos. Essa desaceleração intensa da economia já seria suficiente para controlar a inflação”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.

Na avaliação da CNI, a perda de fôlego econômico já influencia as expectativas em torno da inflação. De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, a inflação esperada para os próximos 12 meses passou de 5,49%, na mediana apurada em 28 de fevereiro, para 5,23%, na mediana apurada em 14 de março. O ponto central da mudança foi o PIB do último trimestre de 2024, que cresceu bem abaixo do esperado.

Além disso, o aperto monetário em curso já se traduz em aumento efetivo da taxa de juros dos tomadores de crédito. Em setembro de 2024, quando o Copom começou a aumentar a Selic, a taxa de juros média era de 27,54% a.a. Em janeiro de 2025, passou para 29,82% a.a. A CNI ressalta que os efeitos das quatro altas da Selic sequer tinham se materializado plenamente, uma vez que há uma defasagem temporal entre a alteração nos juros básicos e o impacto na economia.

Juros mais altos significam crédito mais caro para as empresas e os consumidores. No caso das empresas, inviabilizam investimentos e dificultam o acesso a recursos de capital de giro essenciais para as necessidades do dia a dia. Com isso, as empresas crescem menos e criam menos empregos, prejudicando a população. No caso dos consumidores, os juros altos encarecem o custo de aquisição de muitos bens, sobretudo os duráveis de maior valor, como automóveis e eletrodomésticos, por exemplo, que costumam depender de financiamento.

Por fim, vale destacar que a desaceleração da atividade econômica tende a ser potencializada pelo menor ritmo de expansão da política fiscal e pela desaceleração do mercado de trabalho em 2025.

 

PIB desacelerou no 4º trimestre de 2024, enquanto 2025 traz sinais desfavoráveis para indústria, comércio e serviços

 

A desaceleração da atividade econômica, refletida no PIB do terceiro trimestre de 2024, ficou mais forte no quarto trimestre de 2024, uma vez que a economia cresceu apenas 0,2% em relação aos três meses anteriores. Outro resultado preocupante foi o recuo de 1% no consumo das famílias, algo que não ocorria desde o segundo trimestre de 2021.

Para a CNI, os primeiros dados de 2025 não são animadores. Após cair por três meses consecutivos, entre outubro e dezembro de 2024, período em que acumulou queda de 1,2%, a produção industrial se estagnou em janeiro de 2025, frente a dezembro de 2024.

O volume de serviços, por sua vez, recuou 0,2%, na mesma base de comparação, sendo a terceira queda mensal consecutiva. Já as vendas do comércio varejista restrito – que desconsidera as vendas de automóveis e materiais de construção – apresentou queda de 0,1%, também na passagem entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, marcando o terceiro mês seguido de retração.

Esses dados do PIB, indústria, comércio e serviços evidenciam a forte desaceleração que está em curso na economia brasileira.

 

Redução do preço internacional do petróleo e valorização do real são outros elementos favoráveis ao controle da inflação


Outros fatores vão contribuir para a redução da inflação e, por isso, não poderiam ter sido desconsiderados pelo Banco Central em sua decisão, avalia a CNI. Um deles seria a valorização cambial. O dólar, que fechou 2024 a R$ 6,19, passou a R$ 5,68, em 18 de março de 2025.

O segundo é a queda no preço do petróleo, cujo preço do barril Brent passou de US$ 85, em outubro de 2024, para aproximadamente US$ 70, em março de 2025. Essa diminuição no preço internacional da commodity ajuda a reduzir a pressão sobre o preço da gasolina e do diesel e beneficia o controle da inflação.

 

É preciso ir além e ampliar as medidas de contenção dos gastos públicos

 

A CNI pontua que, embora o cenário seja de desaceleração da economia e, dessa forma, de queda da inflação nos próximos meses, é preciso ir além e assegurar que a política fiscal contribua mais para o controle inflacionário, de modo que ele seja alcançado com taxa de juros mais baixas. Nesse sentido, é preciso aprofundar medidas que busquem conter os gastos públicos, tanto para garantir o cumprimento da meta de resultado primário, neste e nos próximos anos, como para estabilizar a dívida pública.

O menor ritmo de crescimento das despesas, com o consequente fortalecimento da sustentabilidade fiscal, cumpre papel essencial no controle da inflação, seja via contenção da demanda, seja via apreciação do real.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, reforçou que a prosperidade econômica passa, necessariamente, por um pacto entre agentes políticos, financeiros, setor produtivo e população.

“A busca pela sustentabilidade fiscal deve ser uma prioridade de todos os poderes públicos constituídos e de toda a sociedade brasileira. Sem o comprometimento de todos, o Brasil seguirá pecando pela baixa sintonia entre política monetária e política fiscal, o que sobrecarrega a Selic e o custo do crédito, variável-chave para viabilizar investimentos e sustentar ritmo mais vigoroso de crescimento econômico”, defende Alban.

Além de reforçar as medidas de equilíbrio fiscal, o Banco Central deve trabalhar para conter a demanda e, consequentemente, desacelerar a inflação, a partir do aumento dos depósitos compulsórios – atualmente, com alíquota de 21% para recursos à vista; 20% para recursos a prazo; e 20% para recursos de depósitos de poupança.

Essa ação, que restringe a demanda por meio da redução da liquidez na economia, é mais vantajosa do que o mecanismo de política monetária contracionista via aumento da Selic, uma vez que, diferentemente dessa modalidade, não pressiona o custo com juros da dívida pública.


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