Observatório da Indústria de Rondônia promove webinar de lançamento de estudos de tendências
Palestra aborda enfrentamento à violência contra a mulher
A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) e as casas, SESI, SENAI e IEL, por meio da coordenação de Gestão de Pessoas - RH promoveram, nesta quarta-feira, 28, no Salão de Convenções da Casa da Indústria, uma palestra voltada aos colaboradores das instituições sobre o tema “Violência contra a Mulher... E eu com Isso”. Para falar sobre o tema, foi convidado o membro do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Álvaro Kalix Ferro, integrante da Coordenadoria da Mulher do judiciário estadual.
Na abertura, o superintendente
da FIERO, Gilberto Baptista, em nome do presidente, Marcelo Thomé, deu as
boas-vindas e agradeceu a presença do palestrante. Ele ressaltou que o enfrentamento
à violência contra a mulher deve ser pauta constante, já que muitas ainda
sofrem, diariamente, com agressões de naturezas diversas.
Em sua fala, o magistrado
destacou a trajetória da luta pela equidade de direitos entre homens e
mulheres. Citou Mary Wollstonecraft, considerada uma das precursoras do
movimento pela igualdade, que em 1792 já defendia a necessidade de assegurar
direitos às mulheres. Também ressaltou que muitos casos de violência ainda têm
origem em questões culturais profundamente enraizadas.
Ao comentar sobre a Lei Maria
da Penha, disse que, embora a legislação seja amplamente divulgada, pouco mais
de 27% da população conhece a totalidade dos direitos que ela garante. “Esse
índice foi apontado em um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança
Pública. As pessoas sabem que a lei existe, mas muitas desconhecem quais são,
de fato, os direitos assegurados às mulheres”, explicou.
O palestrante abordou os
diferentes tipos de violência, os mecanismos de proteção e a importância de a
sociedade assumir responsabilidade no enfrentamento ao problema, que atinge
milhares de mulheres em todo o país. Citou e fez um pequeno relado de cada uma
delas. A violência física é aquela em que há qualquer ação que ofenda a
integridade ou saúde corporal da mulher (empurrões, socos, chutes,
estrangulamento, queimaduras etc.).
Já a violência psicológica se
caracteriza por condutas que causem dano emocional, diminuam a autoestima ou
prejudiquem o pleno desenvolvimento da mulher. Inclui ameaças, humilhações,
perseguição, isolamento forçado, chantagem, manipulação e controle sobre suas
ações. A violência sexual é aquela em que qualquer ação que force a mulher a
presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada. “ Neste tópico
se inclui impedir o uso de métodos contraceptivos, obrigar a gravidez,
casamento forçado ou exploração sexual”, esclareceu o desembargador Ferro.
Há a violência patrimonial,
aquele em que há retenção, subtração ou destruição de bens, documentos
pessoais, instrumentos de trabalho, dinheiro, cartões ou recursos econômicos da
mulher. Por fim, a violência moral, que inclui ações que configurem calúnia,
difamação ou injúria contra a mulher. No decorrer da palestra, o magistrado
também respondeu alguns questionamentos dos colaboradores, que por pouco mais
de uma hora e meia, escutaram atentamente à apresentação da palestra.
Dados do Ministério das
Mulheres apontam que, em 2024, foram realizados mais de 3.900 atendimentos pela
Central 180 em Rondônia. Do total, 606 resultaram em denúncias formais e 14
casos de feminicídio foram registrados. Segundo o desembargador Álvaro Kalix
Ferro, esses números podem ser ainda maiores, já que muitos episódios de
violência não chegam ao conhecimento das autoridades por conta da
subnotificação.
O encontro buscou mostrar a
relevância de ampliar o debate em diferentes espaços sociais, contribuindo para
que o tema seja tratado como uma questão de direitos humanos, cidadania e
justiça. Para os colaboradores presentes, a palestra trouxe informações essenciais
para reconhecer sinais de violência e compreender a necessidade de apoiar as
vítimas, promovendo mudanças que alcançam toda a comunidade.
Sobre o agosto lilás
O Agosto Lilás é uma campanha
de mobilização social voltada para a prevenção e o enfrentamento à violência
contra a mulher e faz referência data da sanção da Lei Maria da Penha,
considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar no país.
O lilás foi escolhido por
estar historicamente associado à luta feminina por direitos e igualdade. Nesse
período, diversas instituições públicas e privadas, além de movimentos sociais,
realizam palestras, campanhas educativas, debates e ações de sensibilização
para alertar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência que atingem
mulheres de todas as idades e contextos sociais.
Jornalista: Andréa Machado Minuto
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