IMPRENSA
07 de fevereiro de 2019 - 10h48

A- A A+

Competidores da WorldSkills iniciam rotina de treinos para o mundial

Jovens de todo o país chegam em Brasília para se preparar e manter o Brasil no ranking dos campeões da WorldSkills, principal competição de ensino profissional do mundo. A competição será na Rússia com 70 países e 1.500 competidores

 Os futuros representantes do Brasil na WorldSkills, principal campeonato mundial de ensino profissional, chegaram a Brasília para iniciar a preparação. Os treinamentos começaram no dia 14 de janeiro. A maior parte dos competidores da área industrial está alocada em Brasília - 41 dos 52 que estão em treinamento. O restante divide-se entre os estados do Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina. Para participarem da delegação brasileira, os competidores venceram etapas regionais e as nacionais. Os competidores são de 12 unidades da federação diferentes e têm entre 15 e 23 anos.

A edição da WorldSkills de 2019 será em agosto, na cidade de Kazan, na Rússia, e o desafio é manter o Brasil na posição de liderança mundial no segmento. Em 2017, na edição de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, o país ficou em 2º lugar. Em 2015, em São Paulo, conquistou o 1º lugar do ranking.

O Brasil está preparando 59 competidores para 53 modalidades. Na área industrial, são 46 ocupações diferentes, como manutenção industrial, robótica móvel, mecatrônica, refrigeração, gestão de sistemas de rede em tecnologia da informação, entre outros. A maioria dos representantes brasileiros estuda no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Em ocupações ligadas ao comércio e serviços, são sete representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). “O SENAI, o Brasil, são amplamente respeitados na WorldSkills. E estamos em linha com as necessidades competitivas que vão ser apresentadas para Kazan”, defende Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI.

Na análise de Lucchesi, o Brasil tem chances de conquistar a primeira posição do ranking da WorldSkills. “Nós sabemos que a Rússia vai vir muito forte, que a China estabeleceu um novo patamar de competição, que a Coreia é sempre muito forte, que a Suíça se organizou muito desde 2015. São esses os principais players, os mesmos de 2015, quando o Brasil ficou em 1º lugar”.

No entanto, o treinamento nessa última etapa pré-Kazan não garante a ida à Rússia. “Se o competidor não atinge o índice internacional, a gente não leva, porque, além dos custos financeiros, ainda contribui para diminuir a posição brasileira no ranking”, explica Marcelo C. Mendonça, team leader da delegação brasileira. De acordo com Marcelo, duas provas são realizadas antes de Kazan para atestar a excelência do competidor. “Até então, eles são os melhores do Brasil, mas eles precisam ser os melhores do mundo”, complementa.

TREINO - A rotina dos competidores é exigente. Estar na elite do ensino profissional brasileiro pede disciplina, força de vontade, capacitação e muito treino. Os competidores acordam cedo, fazem ginástica, tomam café da manhã e seguem para os centros de treinamento, onde ficam de 8h às 18h. Em Brasília são três endereços: um no Setor de Indústrias Gráficas, outro no Guará e um terceiro em Taguatinga. Felipe Garcia de Almeida, 21 anos, foi o campeão nacional de eletricidade industrial. Estudante do SENAI de Bauru, ele sabe da responsabilidade de representar o Brasil. “Assim que eu entrei no SENAI, eu via o pessoal treinando para a WorldSkills e me perguntava: ‘será que um dia eu consigo’? Agora estou aqui com esse desafio”, afirma.

Para Felipe, o mais difícil dessa etapa não é a jornada intensa, mas ficar semanas sem ver a família. De janeiro a agosto serão vários módulos 10 dias seguidos de treinos e, nos intervalos, os competidores voltam para a casa. “A rotina é de atleta, é como um jogador de futebol. O treinamento é extremamente focado e planejado, não só na parte técnica, como no emocional, na alimentação e na saúde”, descreve.

Neste primeiro ciclo, de 14 a 28 de janeiro, Felipe está tendo a oportunidade de ser treinado por um medalhista de ouro da WorldSkills de 2017, Lucas Fernando de Oliveira Santos, de 21 anos, vencedor na categoria controle industrial. Natural de São João del-Rei (MG), localizada a 185 km da capital Belo Horizonte, Lucas conta que passou os três anos anteriores à WorldSkills pensando no torneio. “Depois que consegui o ouro, eu tinha chegado onde eu queria, aí foi o momento de traçar novas metas”, comenta. Após o ouro, Lucas ganhou uma bolsa do SENAI para cursar engenharia elétrica, conseguiu um emprego e agora é treinador da WorldSkills.

“Quando você é competidor, você recebe os desafios e os executa. Quando você vira treinador é que você tem a dimensão de todo o planejamento envolvido, as metas, os aspectos a melhorar… é mais trabalho e mais responsabilidade”, compara.

Nascido em Estância (SE), Gabriel Vieira, 15 anos, é o caçula da equipe brasileira. Ele vai disputar em Arte 3D Digital para Games. “Eu sempre gostei de desenhar. Mas só fazia aqueles quadrinhos feinhos que toda criança faz. No ano passado, o pessoal do SENAI foi até a escola, aí comecei a fazer o curso técnico e aprendi a desenhar em 3D. Agora estou aqui”, conta. “Minha expectativa de poder competir com os gringos e conhecer outras culturas é enorme. Antes eu representava o Sergipe, um estado de 20 mil km² e pouco mais de 3 milhões de habitantes. Agora eu posso ser o representante do maior país da América Latina”. Após a competição, Gabriel pretende cursar faculdade em São Paulo e desenhar um jogo de vídeo-game com a saga de Lampião.

WORLDSKILLS (WS) – Realizada a cada dois anos, a WorldSkills é a maior competição de educação profissional do mundo e já ocorre há mais de seis décadas. Os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul disputam medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Os competidores precisam demonstrar habilidades individuais e coletivas para responder aos desafios de suas ocupações dentro de padrões internacionais de qualidade. Na edição de Kazan, 70 países e 1.500 competidores participarão.

 

 

ATENDIMENTO À IMPRENSA

Superintendência de Jornalismo da CNI

(61) 3317-9842 / 9578

imprensa@cni.com.br 

SITE

http://www.portaldaindustria.com.br/ 

REDES SOCIAIS

https://twitter.com/CNI_br

https://www.facebook.com/cnibrasil

http://www.youtube.com/user/cniweb 

IMAGENS

https://www.flickr.com/photos/cniweb/


Mais notícias

Profissões ligadas à tecnologia terão alto crescimento até 2023, aponta SENAI

Escola Sesi-Senai Lagoa inicia projeto voltado à cidadania

Seis em cada dez brasileiros dizem que a reforma da Previdência é necessária, mostra pesquisa da CNI

Em parceria com Ministério da Cidadania, SESI vai atender 800 mil jovens até 2022