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Puxado pela indústria, PIB cresce em 2024, mas desaceleração da economia preocupa o segmento industrial
Alta
no PIB teve grande contribuição do segmento industrial, fortalecido por
políticas como a NIB. Porém, CNI alerta que perda do ritmo de investimento e
queda do consumo podem impactar negativamente em 2025
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera positiva a alta de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, mas a redução do ritmo de crescimento no último trimestre do ano em relação aos três meses anteriores demonstra a desaceleração econômica e o consequente risco de uma trajetória ruim para a economia. Os dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o PIB subiu apenas 0,2% no 4º trimestre, o que indica um cenário de alerta para 2025.
Entre os setores econômicos,
destaca-se o crescimento de 3,3% da indústria em 2024, percentual idêntico ao
projetado pela CNI em dezembro de 2024. Todos os setores industriais mostraram
alta: construção (+4,3%); indústria de transformação (+3,8%); eletricidade,
gás, água e esgoto (+3,6%); e indústria extrativa (+0,5%). Já na comparação do
4º com o 3º trimestre do ano passado, a indústria foi o segmento que mais
cresceu, com 0,3% de alta.
O segmento industrial
reconhece que os resultados alcançados no acumulado de 2024 se devem muito a
políticas voltadas para a reindustrialização, como a Nova Indústria Brasil
(NIB) e as ações concretas de financiamento promovidas por entidades como o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep).
No entanto, na avaliação da
CNI, é preciso ter atenção com o cenário que se desenha para este ano,
principalmente diante do impacto negativo da política monetária contracionista
adotada pelo Banco Central e das medidas protecionistas internacionais,
especialmente as adotadas recentemente pelos Estados Unidos.
Outro ponto importante para o
equilíbrio econômico é que o governo adote medidas que contribuam para a
racionalidade dos gastos públicos, bem como que haja mais
rigor nas ações de todos os poderes públicos com relação a novos gastos e
custos, principalmente aqueles que possam ir na contramão do controle fiscal.
“Precisamos buscar o
equilíbrio fiscal, com atenção às despesas, uma vez que a carga tributária já
está no limite, principalmente para o setor industrial que é o mais
sobrecarregado do país em relação a tributos. Nesse sentido, reiteramos a
necessidade de um pacto nacional para dissipar expectativas negativas e
imprimir ao país um novo ciclo de expansão inclusivo e duradouro”, destaca o
presidente da CNI, Ricardo Alban.
O dirigente alerta também para
a importância de o Congresso Nacional aprovar projetos legislativos essenciais
para a captação de investimentos para a infraestrutura brasileira, como a Lei
do Licenciamento Ambiental, a Lei Geral de Concessões, a modernização do setor
elétrico e a atualização do Lei do Bem, que concede incentivo fiscal para
indústrias que investem em inovação tecnológica.
Para a CNI, é importante
também atenção especial a projetos prejudiciais para o setor produtivo e para o
país, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que busca acabar com a
chamada escala 6x1 - no mínimo uma folga a cada seis dias de trabalho - e
reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais, restritas a quatro dias de
trabalho no máximo, com três folgas semanais (escala 4x3). Embora tenha boas
intenções, a proposta não considera a realidade nacional e tem potenciais
efeitos negativos que beiram a irresponsabilidade econômica.
“Podemos elencar como pontos a
serem destacados em 2024 o crescimento da indústria de transformação, a perda
de ritmo do investimento no fim do ano, a queda do consumo mesmo com alta da
renda e a contribuição externa fortemente negativa”, pontua Alban. “Esses três
últimos fatores podem levar a um recuo econômico e à queda do vigor da
indústria, que vinha em um ritmo de forte aceleração desde 2023”, acrescenta o
presidente da CNI.
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