ELEV3R leva o SESI-RO a nova competição internacional
Impacto do conflito no Oriente Médio na agricultura de Rondônia
O atual
cenário geopolítico global traz alertas diretos para o setor produtivo
rondoniense. A escalada das tensões no Oriente Médio, particularmente
envolvendo o Irã, afeta as cadeias de fornecimento de insumos agrícolas,
exigindo atenção estratégica da indústria e do agronegócio.
No centro
dessa dinâmica está a ureia, a fonte comercial mais concentrada de nitrogênio
disponível no mercado e um dos principais fertilizantes utilizados nas
lavouras. O Irã é um dos maiores produtores globais desse insumo (cerca de 5
milhões de toneladas anuais) e atua como uma peça-chave na diversificação de
fornecedores para o Brasil, país que depende de importações para suprir cerca
de 85% do seu consumo interno de fertilizantes.
Os dados
evidenciam a magnitude dessa relação comercial para o estado. Em 2025, o Brasil
importou cerca de US$ 84 milhões do Irã, sendo US$ 66,8 milhões exclusivamente
em ureia. No recorte regional, segundo levantamento do Observatório da
Indústria de Rondônia, o estado foi responsável por aproximadamente 65% dessas
importações nacionais, somando US$ 51 milhões em compras do país do Oriente
Médio. Desse montante, US$ 43,58 milhões corresponderam apenas à aquisição de
ureia.
Ainda
segundo os dados do Observatório, o cenário de dependência mantém-se acentuado
no início de 2026, entre janeiro e fevereiro, o Irã figurou como o terceiro
principal parceiro comercial de importação do estado, movimentando US$ 22,48
milhões. Desse total, a ureia representou US$ 21,49 milhões, configurando mais
de 90% da pauta de importações iranianas para o território rondoniense.
Além da
importação de insumos, o Irã tem relevância como mercado consumidor do milho
produzido em Rondônia. Em 2025, 8% de todo o milho em grãos exportado pelo
estado teve o mercado iraniano como destino. Nos primeiros meses de 2026, o Irã
assumiu a liderança nas compras do grão rondoniense dos 21,4 milhões exportados
no período, 13 milhões foram direcionados ao país, correspondendo a mais de 60%
da exportação.
Diante
desse quadro, notas técnicas urgentes elaboradas pela secretaria-executiva do
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificaram o atual cenário
geopolítico como de elevadíssimo risco para o agronegócio nacional. Há um temor
formal do governo quanto ao desabastecimento de fertilizantes e à disparada dos
preços internos no segundo semestre.
A Federação
das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) aguarda a rápida resolução do
conflito e aponta a diversificação ativa de fornecedores como solução
estratégica para garantir a operação e o trabalho contínuo no campo. Para
manter a competitividade das safras, o estado necessita intensificar as
importações de ureia de países parceiros como Venezuela, Bolívia, Rússia e
Nigéria, suprindo a demanda atualmente atendida pelo Irã.
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