IMPRENSA
09 de March de 2026 - 15h34

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Impacto do conflito no Oriente Médio na agricultura de Rondônia

O atual cenário geopolítico global traz alertas diretos para o setor produtivo rondoniense. A escalada das tensões no Oriente Médio, particularmente envolvendo o Irã, afeta as cadeias de fornecimento de insumos agrícolas, exigindo atenção estratégica da indústria e do agronegócio.

 

No centro dessa dinâmica está a ureia, a fonte comercial mais concentrada de nitrogênio disponível no mercado e um dos principais fertilizantes utilizados nas lavouras. O Irã é um dos maiores produtores globais desse insumo (cerca de 5 milhões de toneladas anuais) e atua como uma peça-chave na diversificação de fornecedores para o Brasil, país que depende de importações para suprir cerca de 85% do seu consumo interno de fertilizantes.

 

Os dados evidenciam a magnitude dessa relação comercial para o estado. Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões do Irã, sendo US$ 66,8 milhões exclusivamente em ureia. No recorte regional, segundo levantamento do Observatório da Indústria de Rondônia, o estado foi responsável por aproximadamente 65% dessas importações nacionais, somando US$ 51 milhões em compras do país do Oriente Médio. Desse montante, US$ 43,58 milhões corresponderam apenas à aquisição de ureia.

 

Ainda segundo os dados do Observatório, o cenário de dependência mantém-se acentuado no início de 2026, entre janeiro e fevereiro, o Irã figurou como o terceiro principal parceiro comercial de importação do estado, movimentando US$ 22,48 milhões. Desse total, a ureia representou US$ 21,49 milhões, configurando mais de 90% da pauta de importações iranianas para o território rondoniense.

 

Além da importação de insumos, o Irã tem relevância como mercado consumidor do milho produzido em Rondônia. Em 2025, 8% de todo o milho em grãos exportado pelo estado teve o mercado iraniano como destino. Nos primeiros meses de 2026, o Irã assumiu a liderança nas compras do grão rondoniense dos 21,4 milhões exportados no período, 13 milhões foram direcionados ao país, correspondendo a mais de 60% da exportação.

 

Diante desse quadro, notas técnicas urgentes elaboradas pela secretaria-executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificaram o atual cenário geopolítico como de elevadíssimo risco para o agronegócio nacional. Há um temor formal do governo quanto ao desabastecimento de fertilizantes e à disparada dos preços internos no segundo semestre.

 

A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) aguarda a rápida resolução do conflito e aponta a diversificação ativa de fornecedores como solução estratégica para garantir a operação e o trabalho contínuo no campo. Para manter a competitividade das safras, o estado necessita intensificar as importações de ureia de países parceiros como Venezuela, Bolívia, Rússia e Nigéria, suprindo a demanda atualmente atendida pelo Irã.


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